Sem-terra plantam 5 mil mudas na semana do Meio Ambiente

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mobilizou, nos últimos dias, cerca de 10 mil pessoas, em 15 estados brasileiros, onde realizou uma série de atividades de defesa do meio ambiente, com críticas ao agronegócio.

Segundo a organização, os sem-terra plantaram mais de 5 mil mudas e semearam cerca de 30 toneladas de sementes em Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Sergipe.

A iniciativa faz parte da Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, que começou na última segunda-feira (1°) e termina neste domingo (7), marcando a Semana Mundial do Meio Ambiente.

Este ano, a jornada teve como lema o mote “combater o agronegócio é cuidar da natureza!” e serve como plataforma para o MST defender a reforma agrária “como solução para o avanço dos cuidados com o meio ambiente”.

Ao mesmo tempo, a organização denuncia o que classifica como “crimes ambientais do agro-hidro-minero-negócio” e os “que exploram os bens comuns da natureza em larga escala”, em um momento em que, na avaliação do movimento, “o agronegócio aprova leis que aumentam a destruição ambiental”.

Incinerador

Neste sábado (6), em São Paulo, o MST promoveu um ato contra a instalação de um incinerador no bairro de Perus, na zona noroeste da capital paulista. Além dos sem-terra, a manifestação reuniu moradores da região, ambientalistas e integrantes de outras organizações sociais.

O incinerador integra o chamado EcoParque Bandeirantes, que a prefeitura de São Paulo pretende instalar no antigo Aterro Sanitário Bandeirantes, em parceria com uma empresa privada.  

O aterro funcionou por 28 anos e teve suas operações encerradas em 2007. Desde então, consta da lista de Áreas Contaminadas em Processo de Remediação (ACRe), da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Além do incinerador, o projeto do EcoParque prevê um biodigestor, uma unidade de compostagem, outra de biossecagem, e uma central mecanizada de triagem de resíduos. E, segundo a prefeitura, visa a “otimização da reciclagem dos resíduos sólidos urbanos, a agregação de valor aos diversos subprodutos gerados, a geração de energia com baixa emissão de GEE e a redução dos volumes destinados à disposição final em aterros.

No entanto, de acordo com o MST, o projeto contraria os interesses de diferentes segmentos sociais que coabitam o bairro de Perus e região, incluindo indígenas que vivem no Pico do Jaraguá, próximo ao antigo aterro sanitário.

“O projeto de instalação do Incinerador em Perus mostra qual é o projeto da burguesia e do agronegócio para o Brasil: para a periferia, para o povo pobre, para os camponeses, para a classe trabalhadora é sempre a poluição, os detritos. Para deixar bonita a área da burguesia, empurram para nós os detritos”, criticou, em nota, Luciano Carvalho, da direção estadual do movimento.

Governo prorroga descontos no querosene de aviação e no biodiesel

O governo federal prorrogou por dois meses os benefícios fiscais concedidos à importação e à venda de biodiesel e querosene de aviação. A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (29) e estende até 31 de julho os descontos que, de outra forma, seriam extintos neste domingo (31).

Assinado pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira, o Decreto nº 12.991 altera dois atos normativos anteriores – os decretos nº 5.059, de 2004, e nº 10.527, de 2020 – que reduzem as alíquotas das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) que incidem sobre os dois combustíveis estratégicos.

Os coeficientes de redução aplicados às contribuições que incidem sobre os produtos seguem os mesmos: 0,99987 para o querosene de aviação e um inteiro para o biodiesel. Isto significa que o governo federal manteve o desconto equivalente a 99,99% sobre o valor dos impostos que cobraria do querosene de aviação, enquanto a tributação sobre o biodiesel permanecerá zerada até pelo menos 31 de julho, pois o desconto equivale a 100%.

Os descontos integram um conjunto de medidas emergenciais anunciadas pelo governo federal no início do mês passado para tentar conter a alta dos preços dos combustíveis. Eles representam uma ajuda temporária para as empresas de transportes, principalmente da aviação comercial, afetadas pela alta dos preços dos combustíveis, que dispararam devido aos conflitos no Oriente Médio. Com este socorro, o governo tenta evitar que as companhias repassem para os consumidores o aumento de seus custos operacionais, o que teria forte impacto inflacionário.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o querosene de aviação já representa 45% dos custos operacionais do setor. Ao participar de uma audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara dos Deputados, no último dia 21, o presidente da entidade, Juliano Norman, defendeu que a isenção do PIS/Cofins sobre a querosene de aviação fosse prorrogada até o fim do ano. Na ocasião, especialistas apontaram que, de fevereiro para cá, o preço do produto mais que dobrou, passando de R$ 3,30 o litro para R$ 6,65/litro.

De acordo com a Abear, devido à alta do preço do querosene de aviação, as empresas aéreas estão tendo que “redesenhar” suas malhas, reduzindo inclusive a oferta de voos. A projeção para maio aponta 93 voos a menos por dia. Para junho, a previsão é de 121 voos a menos por dia. Os estados mais afetados estão nas regiões Norte e Nordeste.

“Estamos reduzindo a oferta, o tamanho do avião para não desatender os destinos. Mas a pior face da crise é o desatendimento de um destino ou quando a indústria devolve uma aeronave para o fabricante, porque a retomada não é tão simples”, afirmou Norman.

Mutirão do INSS em todo país acelera análise de benefícios e perícias

Brasília, DF 30/05/2026 - O Ministério da Previdência Social (MPS) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) promovem, neste fim de semana um grande mutirão para atendimentos extras em 119 cidades brasileiras das cinco regiões do país. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom
© Fabio Rodrigues-Pozzebom

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Ministério da Previdência Social fazem, neste fim de semana, um grande mutirão de atendimentos extras. Mais de 59 mil vagas para avaliações sociais e perícias médicas estão sendo oferecidas em quase todas as unidades federativas do país, à exceção de Roraima e Tocantins.

A iniciativa busca acelerar a análise de benefícios e antecipar perícias pré-agendadas, reduzindo a fila de espera pela obtenção de benefícios previdenciários e assistenciais.

Os segurados interessados devem agendar o atendimento pela central telefônica do INSS, ligando para o número 135, ou pelo portal Meu INSS.

Confira a distribuição das vagas e os locais de atendimento por região:

Nordeste (41.386)

  • Alagoas (2.219 vagas): Maceió – Jatiúca (1.558); Palmeira dos Índios (426); Arapiraca (20); Maceió – Tabuleiro do Martins (40); Maceió – Almirante Álvaro Calheiros (20) e Maceió – Poço (155).
  • Bahia (4.459 vagas): Jequié (282); Santo Antônio de Jesus (600); Feira de Santana (1.130); Agência Conectada Eunápolis – Teleavaliação (45); Brumado (30); Juazeiro (165); Paripiranga (50); Paulo Afonso (640); Santa Maria da Vitória (20); Irecê (576); Itabuna (170); Vitória da Conquista (237); APS Digital – Governo Brasil na Rua (480) e Santo Antônio de Jesus (34).
  • Ceará (19.477 vagas): Agência Conectada Fortaleza – Aldeota – Teleavaliação (640); Brejo Santo (800); Camocim (106); Campos Sales (208); Crateús (528); Crato (1.817); Fortaleza – Centro (740); Fortaleza – Centro-Oeste (2.895); Fortaleza – Jacarecanga (432); Fortaleza – Parquelândia (1.065); Fortaleza – Sul (2.301); Iguatu (920); Itapagé (272); Itapipoca (800); Juazeiro do Norte (780); Maracanaú (1.276); Quixadá (1.064); Senador Pompeu (432); Sobral (1.128); Tianguá (716); Ubajara (532) e Acaraú (25).
  • Maranhão (822 vagas): São Bento (324); Timon (396); Açailândia (18); São Luís – Cohab (45); São Luís – Deodoro (28) e São Luís – Bom Menino (11).
  • Paraíba (2.390 vagas): João Pessoa – Centro (309); João Pessoa – Tambauzinho (1.551); Campina Grande – Dinamérica (426) e Sousa (104).
  • Pernambuco (4.459 vagas): Caruaru (1.380); Garanhuns (90); Petrolina (362); Recife – Encruzilhada (2.288); Serra Talhada (146); Recife – Corredor do Bispo (168) e Caruaru (25).
  • Piauí (5.579 vagas): Floriano (337); Parnaíba (1.790); Picos (568); São João do Piauí (200); Teresina – Centro (300) e Teresina – Leste (2.384).
  • Rio Grande do Norte (954 vagas): Alexandria (104); Natal – Centro (700); Currais Novos (75) e Santa Cruz (75).
  • Sergipe (1.027 vagas): Aracaju – Siqueira Campos (1.012) e Lagarto (15).

Sudeste (6.473)

  • Espírito Santo (552 vagas): Cachoeiro de Itapemirim (352); Pedro Fonseca (200)
  • Minas Gerais (513 vagas): Curvelo (121); Contagem (20); Uberlândia (160); Montes Claros (170) e Belo Horizonte (42).
  • Rio de Janeiro (1.633 vagas): Barra da Tijuca (215); Engenheiro Trindade (215); Itaboraí (175); Barra Mansa (126); Duque de Caxias – Avenida Nilo Peçanha (286); Nilópolis (106); Três Rios (160); Avenida Brasil (80); Bangu (120); São Gonçalo (70) e Barra do Piraí (80).
  • São Paulo (3.775 vagas): Taboão da Serra (353); Registro (102); Santos (378); Cubatão (154); Campinas (768); Amparo (300); Atibaia (464); Jacaré (240); São José do Rio Preto (858); Fernandópolis (7); Marília (110) e São João da Boa Vista (41).

Sul (5.744)

  • Paraná (4.375 vagas): Araucária (588); Colombo (448); Curitiba- Cândido Lopes (2.352); Foz do Iguaçu (544); Marechal Cândido Rondon (384); Londrina (56) e Ponta Grossa (3).
  • Rio Grande do Sul (1.219 vagas): Alvoradas (480); Porto Alegre- Partenon (672) e Pelotas (67).
  • Santa Catarina (150 vagas): Blumenau (71) e Itajaí (79).

Centro-Oeste (674)

  • Distrito Federal (232 vagas): Planaltina (50); Taguatinga (122) e Asa Sul (60).
  • Goiás (80 vagas): BI Goiânia.
  • Mato Grosso (76 vagas): Barra do Garças (24) e Confresa (52).
  • Mato Grosso do Sul (286 vagas): Corumbá (98); Costa Rica (54); Coxim (52); Três Lagoas (52) e 26 de Agosto (30).

Norte (4.822)

  • Acre (180 vagas): Rio Branco- Centro.
  • Amapá (536 vagas): Macapá.
  • Amazonas (1.304 vagas): Manaus Codajás (1.080); BI (160); Compensa (14); Manacapuru (40) e Tefé (10).
  • Pará (2.224 vagas): Altamira (496); Belém- Marco (325); Castanhal (124); Santarém (1264) e Porto Nacional (15).
  • Rondônia: (578 vagas): Cacoal (90) e Porto Velho- Embratel (488).

Mais de meio milhão de pessoas bloquearam acesso a sites de apostas

Mais de 574 mil pessoas já usaram a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do governo federal, para impedir o próprio acesso a sites de apostas autorizados a funcionar no Brasil.

Segundo o Ministério da Saúde, 207 mil usuários da ferramenta, ou 41% dos pedidos, apontaram a perda de controle sobre o jogo e/ou eventuais danos à saúde mental como principal razão para solicitar o bloqueio.

Riscos com vazamento de dados (18%) e problemas financeiros (12%) aparecem logo em seguida. Quatorze por cento dos usuários não informaram o motivo da autoexclusão e 13% asseguraram que tomaram a decisão de forma voluntária.

Desenvolvido pelo Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, e lançado em dezembro de 2025, o sistema federal centralizado de autoexclusão permite que os interessados bloqueiem o próprio acesso a todos os sites de apostas autorizados com um único pedido.

Ao optar pela autoexclusão, o usuário deve informar os dados pessoais e optar por bloquear o acesso aos sites por tempo indeterminado ou por um período pré-determinado, que pode variar entre um e 12 meses.

Até o momento, 69% das pessoas optaram por tempo indeterminado. Segundo os dados, 31% escolheram um prazo específico, sendo um ano o período mais selecionado. O período mínimo para a autoexclusão é de um mês.

Autoteste

Além de permitir ao cidadão interessado restringir o próprio acesso, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão reúne informações sobre saúde mental e orientações e links de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) para quem está sofrendo as consequências do uso problemático de jogos de apostas.

A ferramenta também conta com links para a lista de empresas legalizadas; um questionário da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para a pessoa interessada em avaliar sua saúde financeira e um autoteste elaborado pelo Ministério da Saúde.

“Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população”, sustenta o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em nota.

De acordo com o ministro, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão integra uma estratégia governamental mais ampla de prevenção, cuidado e redução de danos. O que inclui investimento em pesquisas sobre o impacto das bets na saúde dos brasileiros.

Nesta terça-feira (26), a pasta assinou um Termo de Execução Descentralizada (TED) que prevê o repasse de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS. O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e permitirá mensurar e analisar os impactos dessa prática no cotidiano da população brasileira. A previsão é que esse levantamento tenha início ainda em 2026.

A recomendação é que, em caso de problemas, as pessoas procurem apoio especializado nas unidades básicas de saúde (UBS), nos centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou de profissionais de saúde da sua confiança. Endereços de serviços de saúde pública podem ser pesquisados na página do SUS Digital.

Justiça francesa condena Airbus e Air France por acidente de 2009

A Justiça francesa reconheceu, nesta quinta-feira (21), a total responsabilidade das empresas Air France e Airbus pelo acidente com o voo AF447, que matou 228 pessoas, incluindo 58 brasileiros, em 1ª de junho de 2009.

Em abril de 2023, a Justiça absolveu as duas companhias, em primeira instância, das acusações criminais, mas admitiu a responsabilidade civil da Air France e da Airbus pela queda do avião Airbus A330-203 em meio ao Oceano Atlântico, durante um voo entre o Rio de Janeiro e Paris.

Parentes das vítimas recorreram da sentença de 2023 e, em 2025, o Ministério Público (MP) francês passou a atuar pela condenação das duas companhias, por imprudência e negligência.

Hoje, ao acatar a recomendação do MP e reverter a decisão de 2023 de um tribunal inferior, a Corte de Apelações de Paris condenou a Air France e a Airbus a pagarem multa por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) por negligência. O teto da multa é de 225 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão, para cada empresa.

Vice-presidente da Associação de Familiares das Vítimas do Voo Air France 447, o consultor Maarten Van Sluys disse à Agência Brasil que a decisão desta quinta-feira representa um “alívio” para os parentes e amigos dos 216 passageiros e 12 tripulantes de 33 nacionalidades que morreram a bordo da aeronave. . Ele perdeu a irmã, a assessora de imprensa Adriana Van Sluys, no acidente.

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“O resultado é o que esperávamos: uma condenação por homicídio culposo. Entendemos que isto é uma vitória moral incomensurável, pois muito mais do que valores monetários, que acabam sendo irrisórios em se tratando de empresas deste porte, agora temos um certificado da culpa da Air France e da AirBus”, disse Sluys.

Sluys, que acompanhou remotamente o julgamento desta quinta-feira, afirmou que tão logo a decisão judicial foi anunciada, as empresas manifestaram intenção de recorrer da sentença.

“É uma decisão reparatória dos danos morais causados a tantas famílias e estamos muito aliviados. Temos a sensação de que a justiça foi feita e que posso dizer a minha irmã que nossa luta [para fazer justiça às vítimas] não foi em vão”, acrescentou Sluys.

Saiba mais sobre o caso no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Master: operação da PF contra fraude bilionária completa seis meses

A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), completa seis meses nesta segunda-feira (18). As seis fases executadas até 14 de maio trouxeram à luz o que pode ser a maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional já registrada no Brasil, causadora de potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares.

A operação também revelou a intrincada teia de relações que o principal alvo da apuração, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, estabeleceu com políticos; criminosos e servidores públicos de alto escalão. Na lista, figuram diretores do Banco Central (BC), órgão responsável por fiscalizar o sistema bancário, e agentes da própria PF.

As investigações acerca do esquema que, segundo a PF, era chefiado por Vorcaro, começaram no início de 2024, a pedido do Ministério Público Federal (MPF). 

Desde então, as provas reunidas motivaram o Poder Judiciário, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF), a decretar 21 prisões temporárias (de até cinco dias, prorrogáveis pelo mesmo período) ou preventivas (sem prazo para ser revogada), incluindo a do próprio banqueiro. 

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Também foram expedidos 116 mandados de busca e apreensão de provas e autorizações judiciais para o bloqueio e o sequestro de bens em valores próximos a R$ 27,71 bilhões. 

Os mandados foram cumpridos em sete unidades da Federação:

  • Bahia;
  • Minas Gerais;
  • Piauí;
  • Rio de Janeiro;
  • Rio Grande do Sul;
  • São Paulo;
  • Distrito Federal. 

Primeira fase

Na primeira etapa da Compliance Zero, em 18 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro, 42 anos, foi um dos sete presos. Os agentes federais já vinham investigando os indícios de “fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro” há quase um ano. Concluíram que tais títulos tinham sido vendidos a outro banco, o Banco de Brasília (BRB), e que após fiscalização do BC, foram substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Brasília (DF),  09/03/2026 - Fotografia do banqueiro Daniel Vorcaro.  Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

Além de Vorcaro, outros seis investigados foram presos, incluindo o ex-CEO e sócio no Banco Master Augusto Ferreira Lima. Na ocasião, a 10ª Vara Federal de Brasília também determinou o afastamento dos cargos do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), e do então diretor financeiro do banco estatal do Distrito Federal, Dario Oswaldo Garcia.
 
A primeira fase da operação foi deflagrada um dia após a Fictor Holding Financeira anunciar a intenção de comprar o Banco Master em conjunto com investidores dos Emirados Árabes Unidos. 
Sete meses antes, a diretoria do BRB tentou comprar o Master por cerca de R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) barrou o negócio no início de setembro – dois meses antes de a PF e o Poder Judiciário exporem o que analistas do mercado financeiro já comentavam há tempos: a falta de lastro do Master.

Em meio a essas revelações, o BC oficializou a liquidação extrajudicial de instituições financeiras do conglomerado Master, como os bancos Master de Investimento, Letsbank, a Master Corretora de Câmbio, Will Financeira e o Banco Pleno. O BC também decretou indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores do grupo e o Regime Especial de Administração Temporária (Raet) do banco Master Múltiplo S/A. 

Até o momento, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) gastou aproximadamente R$ 49,5 bilhões para ressarcir clientes do Grupo Master, do Will Bank e do Banco Pleno. Mantido por contribuições obrigatórias das entidades financeiras associadas, o FGC tem o propósito de proteger o sistema financeiro, prevenir crises e resguardar os clientes, garantindo o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de intervenção ou liquidação pelo Banco Central. 

Segunda

Em 14 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) expediu 42 mandados judiciais de busca e apreensão, durante a segunda fase da Compliance Zero. As autoridades também buscavam provas de lavagem de dinheiro.
 
Com autorização do ministro Dias Toffoli, do STF, mais de R$5,7 bilhões dos investigados foram bloqueados. O pastor da igreja Lagoinha de Belo Horizonte Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido quando tentava embarcar em um voo para os Emirados Árabes, mas foi liberado na sequência.
 
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estavam o empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos João Carlos Mansur, entre outros.

Terceira

Solto após determinação do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região dez dias após ter sido preso, na primeira fase da operação, Vorcaro voltou a ser detido em 4 de março, na terceira etapa da Compliance Zero. A PF encontrou no celular apreendido de Vorcaro mensagens em que ele discute com interlocutores a possibilidade de simularem um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e outras ações violentas contra ex-empregados.

Segundo a corporação, o dono do Master controlava uma milícia particular para intimidar e coagir seus desafetos. “A Turma”, como Vorcaro se referia ao grupo, era chefiada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. 

Detido em Belo Horizonte, Mourão foi levado à Superintendência da PF. Horas depois, foi encontrado desacordado na cela onde foi deixado sozinho. A PF afirma que Sicário tentou se suicidar e, embora tenha sido encontrado com vida e recebido os primeiros socorros no local, antes de ser levado às pressas para um hospital, não resistiu e morreu.  

Além das prisões de Vorcaro e de Mourão, foram cumpridos outros dois mandados de prisão preventiva (contra o cunhado do banqueiro, Zettel, e contra o policial aposentado Marilson Silva); 15 de busca e apreensão e o sequestro e bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens e contas de pessoas investigadas. 

O STF também determinou que o Banco Central afastasse o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária da Diretoria de Fiscalização, Belline Santana, e o ex-chefe adjunto do mesmo departamento, Paulo Sérgio Neves de Sousa. De acordo com o BC, os dois são suspeitos de atuar ilegalmente em favor dos interesses do Banco Master. 

Seis meses da Operação Compliance Zero

Quarta

A quarta fase da operação ocorreu em 16 de abril, principalmente para aprofundar as investigações sobre a corrupção de agentes públicos. Com autorização do STF, os agentes federais prenderam, preventivamente, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, e o advogado de Vorcaro Daniel Monteiro. Também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. 

De acordo com as investigações, Costa teria combinado com o banqueiro Daniel Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina. O valor seria repassado por meio de imóveis. A PF garante ter provas de que ao menos R$ 74 milhões foram pagos – o que Costa nega.

Quinta

Em 7 de maio, a quinta etapa da Compliance Zero atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI); o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, e outros investigados no Distrito Federal, Minas Gerais, Piauí e São Paulo. No total, foram executados dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária. 

O presidente do PP e ex-ministro do governo Bolsonaro, senador Ciro Nogueira, foi alvo de mandados de busca e apreensão. Ele é suspeito de atuar politicamente em prol de interesses de Daniel Vorcaro. Em troca, segundo a PF, o senador teria recebido entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais, além de outras vantagens, como o custeio de viagens internacionais, hospedagens e despesas em restaurantes. 

Em agosto de 2024, Nogueira apresentou acréscimo à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023, que discute a autonomia do Banco Central (BC). O texto, que ficou conhecido como Emenda Master, defende a ampliação da garantia ordinária do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão – o que, segundo especialistas, colocaria em risco a sustentabilidade do fundo. De acordo com a PF, a emenda foi elaborada por assessores do Banco Master e entregue a Nogueira para que ele a apresentasse ao Congresso Nacional como sendo de sua autoria.

O primo Felipe Cançado era um dos alvos da segunda fase da operação, em janeiro, mas escapou em um carrinho de golfe pouco antes dos policiais federais chegarem a casa onde estava, em Trancoso, na Bahia. Na quinta fase, ele foi detido em caráter temporário, sob a suspeita de ser um dos operadores financeiros do esquema montado por seu primo. 

No total, o ministro André Mendonça expediu dez mandados de busca e apreensão. Ele também determinou o bloqueio de bens, de direitos e de valores dos investigados no valor de R$18,85 milhões. E decretou que o irmão do senador Ciro Nogueira, o empresário Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, um dos alvos desta fase, passasse a usar tornozeleira eletrônica, entregasse seu passaporte à PF e se abstivesse de deixar Teresina (PI) e de contatar outros investigados ou testemunhas.  

Sexta

Seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão foram cumpridos no dia 14 de maio, na sexta fase da operação. Um sétimo mandado de prisão foi executado dois dias depois, com a detenção de Victor Lima Sedlmaier, capturado em Dubai, nos Emirados Árabas, em uma ação conjunta da PF, da Interpol e da polícia local. 

Entre os demais alvos, estava o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, Henrique participava do gerenciamento de “A Turma”, grupo revelado na terceira fase e apontado como milícia pessoal do banqueiro. 

Também foi detido o policial federal Anderson da Silva Lima, suspeito de repassar a Daniel Vorcaro dados sigilosos sobre investigações policiais em curso. Além disso, o ministro André Mendonça determinou a transferência do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, detido desde a terceira fase, para um presídio federal – determinação cumprida na última sexta-feira (15). 

Dark Horse

Na última semana, reportagens do portal The Intercept Brasil revelaram gravações em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Nos áudios, o parlamentar justifica o pedido como financiamento para a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

São Paulo (SP), 04/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil

O próprio senador admitiu a veracidade dos áudios e o teor da conversa vazada, mas negou ter cometido qualquer irregularidade, assegurando que todo o dinheiro fornecido por Vorcaro foi usado para custear a realização do filme Dark Horse

Segundo o The Intercept Brasil, o banqueiro teria acordado destinar R$134 milhões à produção, dos quais ao menos R$61 milhões foram efetivamente liberados. O que motivou vários parlamentares a pedirem que a origem e o uso dos recursos sejam investigados.   

Nesse domingo (17), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, disse que o orçamento do filme sobre seu pai “não é caro para os padrões de Hollywood”, uma vez que é dirigido pelo diretor estadunidense Cyrus Nowrasteh e tem, no elenco, diversos atores estrangeiros, incluindo Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente. 

Veja a lista dos presos em cada fase da Compliance Zero:

1ª Fase 

  1. Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master (Preventiva);
  2. Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master (Preventiva);
  3. Luiz Antônio Bull, diretor de Riscos, Compliance e Operações do Master (Preventiva);
  4. Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo do Master (Preventiva);
  5. Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Master (Preventiva);
  6. André Felipe de Oliveira Seixas Maia (Temporária) 
  7. Henrique Souza e Silva Peretto (Temporária) 

 
3ª Fase

  1. Daniel Vorcaro (Preventiva)
  2. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor da igreja Lagoinha de Belo Horizonte (MG) (Preventiva), 
  3.  Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário (Preventiva)
  4.  Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado (Preventiva) 

4ª Fase

  1.  Paulo Henrique Costa (PHC), ex-presidente do BRB (Preventiva),
  2.  Daniel Monteiro, advogado do Banco Master (Preventiva)

 
5ª Fase

  1.  Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e sócio de empresas investigadas no âmbito da operação (Temporária) 

6ª Fase

  1.  Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro (Preventiva),
  2.  David Henrique Alves, especialista em tecnologia, apontado como líder do núcleo tecnológico de “A Turma” (Preventiva)
  3.  Victor Lima Sedlmaier, especialista em tecnologia (Preventiva),
  4.  Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado (Preventiva),
  5.  Anderson Wander da Silva Lima, policial federal em atividade (Preventiva), 
  6.  Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos (Preventiva),
  7.  Manoel Mendes Rodrigues, apontado como “empresário do jogo” do bicho no Rio de Janeiro (Preventiva)

Acionistas aprovam aumento de capital do BRB em até R$ 8,81 bilhões

Os acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram, nesta quarta-feira (22), a proposta de aumento de capital da instituição estatal, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal (GDF), que detém 53,7% das ações.  

A proposta aprovada durante a Assembleia Geral Extraordinária desta manhã prevê que o banco emita ações ordinárias e preferenciais até o limite de R$ 8,81 bilhões. Cada ação será emitida por R$ 5,36 no mercado, para subscrição privada.

A expectativa dos dirigentes do BRB é que, com a emissão de ações, o capital social do banco passe dos atuais R$ 2,344 bilhões para, no mínimo, R$ 2,88 bilhões. Já o máximo previsto chegaria a R$ 11,16 bilhões.

Ainda de acordo com o BRB, o aumento de capital visa a assegurar níveis adequados de capitalização do banco; ampliar a capacidade de crescimento das operações da companhia e reforçar sua estrutura de capital, fortalecendo seus indicadores prudenciais e patrimoniais.

Para viabilizar a proposta, os acionistas autorizaram o Conselho de Administração do banco a tomar todas as providências necessárias ao aumento de capital.

Também foram homologadas na assembleia as nomeações do atual presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, e de Joaquim Lima de Oliveira e de Sergio Iunes Brito para o Conselho de Administração.

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Crise institucional

Criado em 1964, o BRB enfrenta uma crise institucional sem precedentes em sua história. Ao deflagrar a primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, a Polícia Federal expôs um esquema de fraudes financeiras, tornando público que o BRB teve um prejuízo bilionário ao adquirir créditos do Banco Master.

O controlador do Master, Daniel Vorcaro está preso desde o início de março deste ano, e os desdobramentos da investigação resultaram no afastamento e na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC). O ex-executivo é suspeito de envolvimento em crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

Na segunda-feira (20), o BRB anunciou que assinou um memorando de entendimento com a empresa gestora de fundos de investimentos Quadra Capital para se desfazer de ativos comprados do Banco Master.

A gestora se comprometeu a pagar, à vista, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões pelos créditos que o BRB adquiriu do Master, e mais R$ 11 bilhões ou R$ 12 bilhões, a depender dos resultados alcançados na cobrança destes títulos. 

A operação de cobrança dos créditos será feita por um fundo de investimento para a gestão e monetização dos ativos, do qual o BRB e a Quadra terão ações. A negociação ainda precisa ser analisada pelo Banco Central (BC). 

“Obviamente, o fundo de investimento a ser estruturado vai ter que performar. A Quadra só fará os pagamentos das parcelas restantes se o fundo obtiver retorno. Ou seja, se ela conseguir receber, dos devedores, ao menos parte considerável dos créditos que o BRB comprou do Master”, disse o economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo, à Agência Brasil

Com larga experiência no setor financeiro, Bergo acredita que, se aprovado, o acordo entre BRB e a Quadra pode “atenuar” a crise do banco público, mas não resolverá a situação.

“É um negócio que possibilita ao BRB respirar um pouco, por aparelhos, mas serão necessárias outras ações. E, por isso, ele está pedindo [mais de R$ 6 bilhões] de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos [FGC] e sinalizando a intenção de implementar uma administração austera, com uma possível mudança da estratégia de negócios”, finalizou Bergo.