Inmet tem alerta para tempestade no Sul nesta madrugada

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) disparou um alerta de risco de tempestade para parte da região Sul nesta segunda-feira (8). O órgão avaliou que há perigo potencial a partir das 3h da próxima madrugada. 

Há previsão de chuvas com ventos intensos e até queda de granizo. O Inmet acrescenta a possibilidade de estragos em plantações, queda de galhos de árvores e também alagamentos. 

As áreas afetadas estão situadas principalmente no Rio Grande do Sul, incluindo a região metropolitana de Porto Alegre. Além desse Estado, segundo o Inmet, devem ficar em alerta cidades do oeste de Santa Catarina e do sudoeste do Paraná. 

Riscos

O Inmet orienta a população para que, em caso de rajadas de vento, não se abrigue debaixo de árvores, pois há leve risco de queda e descargas elétricas. Outra recomendação é que as pessoas afetadas podem buscar informações com a Defesa Civil (telefone 199) e com o Corpo de Bombeiros (193).

O órgão também prevê perigo potencial de chuvas intensas para esta manhã de segunda no Norte do País, incluindo a maior parte dos estados do Pará e do Amazonas, e do Amapá, além do Sul de Roraima.

Entidades repudiam prisão de jornalista perseguido por Zambelli

Entidades ligadas ao jornalismo manifestaram repúdio à decisão do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo (SP), de determinar a prisão, em regime aberto, do profissional Luan Araújo. Em outubro de 2022, ele foi alvo de uma perseguição a mão armada por parte da então deputada federal Carla Zambelli.

A prisão foi uma decisão do juiz José Fernando Steinberg. Ele argumentou que o “condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta”. Araújo, que está desempregado, precisava pagar uma indenização de R$ 2,2 mil em vista da condenação por “difamação”. Ele foi considerado culpado por ter publicado um texto com críticas a Carla Zambelli.

Luan Araújo escreveu, na ocasião, que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”.

Em nota, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-SP) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial da Federação Nacional dos Jornalistas (Conajira/Fenaj) criticaram a punição ao jornalista.

“[As entidades] vêm a público repudiar a decisão da Justiça paulista que determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo em razão do não pagamento de R$ 2.216,30 decorrentes de uma condenação por difamação em ação movida pela ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)”, diz a nota.

“Estou triste”

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial divulgou ainda um posicionamento de Luan Araújo, que prevê um período complicado pela frente. “Estou triste com toda essa repercussão, mas também feliz por ver o acolhimento das pessoas.”

Segundo a comissão, ele tem pedido apoio diante do cenário que tem enfrentado. “Estou sem emprego e tentando buscar uma oportunidade de trabalho”, afirmou.

Depois da condenação, Luan Araújo publicou nota nas redes sociais em que considera “injusta” a condenação. “Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma condenação na justiça por um texto que escrevi, onde a justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma condenação que eu considero injusta”, disse.

Ainda nas redes, Araújo lamentou que a ex-deputada federal teve o pedido de extradição rejeitado pela Justiça da Itália.  “Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, tô tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela.”

Ele se considerou “desesperançoso”. “Não vou deixar de lutar, mas tenho muito menos armas que ela.”

O caso

No dia 29 de outubro de 2022, antes do segundo turno da eleição presidencial de 2022, Zambelli e Araújo tiveram um bate-boca e a então deputada sacou um revólver. Imagens divulgadas à época mostram Zambelli perseguindo o jornalista pelas ruas de São Paulo e dentro de uma lanchonete.

Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão em razão do episódio. Ela foi considerada culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

O Brasil pediu a extradição de Zambelli, que chegou a ser concedida pelas primeiras instâncias da Justiça italiana, mas acabou sendo cassada em maio pela Corte de Apelação de Roma.

Lula responsabiliza clã Bolsonaro por ataque dos EUA ao Pix e taxação

Em discurso no Hospital Universitário de Rio Verde (GO), nesta terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para “intervir no Pix” brasileiro.

“O tal do bolsonarista foi nos Estados Unidos. Ele não estava focado e pediu para o Trump intervir no Pix brasileiro. Você acha que a gente vai deixar? Não vai deixar”, disse o presidente

No final do mês passado, Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, reuniu-se com Trump na Casa Branca, em Washington, em companhia do irmão, o autoexilado ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dias depois do encontro, o governo dos Estados Unidos anunciou que passaria a classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Hoje, os norte-americanos divulgaram relatório em que acusam o Pix de prejudicar “injustamente” as empresas que prestam serviços de pagamento eletrônico, como MasterCard, Visa e o Whatsapp Pay, além de propor nova taxação aos produtos brasileiros.   

Mais cedo, em evento em Catalão (GO), Lula criticou diretamente Flávio Bolsonaro, dizendo que ele agora nega que tenha pedido interferência de Trump nas tarifas brasileiras. 

“Esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo: ‘eu não falei nada’. Todo covarde é assim”, disse.  

“Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula. Ele vai prejudicar é o povo brasileiro. Ele vai prejudicar os empresários brasileiros. Ele vai vai prejudicar é o agronegócio”, completou Lula.  

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) listou nesta terça-feira o impacto financeiro e os setores produtivos que correm risco caso a proposta dos Estados Unidos de taxar em 25% os produtos brasileiros venha a ser implementada. A decisão tarifária ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano. 

Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu a Trump para não taxar os produtos brasileiros no encontro no final de maio. O senador afirmou ainda que enviou uma carta ao presidente dos EUA reforçando sua posição. 

Pix assusta EUA

Para o presidente Lula, o Pix é mais vantajoso que sistemas de empresas estadunidenses e, por isso, assusta os EUA. 

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) saiu em defesa do sistema de pagamento brasileiro. Segundo a entidade, o Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial. 

A Febraban considera que a tecnologia favorece “a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e consequentemente da atividade econômica”. 

De acordo com a entidade, não existem barreiras para a entrada de novos participantes, independentemente do porte ou segmento de atuação.

SUS

No evento de Rio Verde, o presidente Lula visitou o hospital universitário que atende integralmente pelo SUS. A unidade realizou, em janeiro, a primeira cirurgia do Centro-Oeste com o sistema cirúrgico robótico Da Vinci X, um dos sistemas mais modernos do mundo, que proporciona maior precisão, segurança e recuperação mais rápida aos pacientes. 

Na ocasião, dois pacientes, com câncer de próstata, foram submetidos ao procedimento cirúrgico de forma robótica. Essas duas cirurgias foram feitas com sucesso e os dois pacientes seguem em recuperação. 

Segundo o governo, a incorporação dessa tecnologia ao SUS do município representa um passo decisivo na redemocratização do acesso a procedimentos de alta complexidade, que tradicionalmente estavam restritos à rede privada. 

O presidente destacou que todo brasileiro que precise fazer radioterapia deve ter acesso gratuito em igualdade de condições. “A Constituição diz que todos nós somos iguais perante a Constituição. O SUS é possivelmente o melhor e único sistema de saúde que existe num país com mais de 100 milhões de habitantes”, afirmou.  

Ele chegou a tirar o chapéu para falar sobre o tratamento contra o câncer de pele em seu couro cabeludo.

“Você está vendo minha cabeça? Está machucada porque eu tive um câncer de pele e eu estou tratando para ficar bonitão”. 

Na China, Vieira vê parceria com país mais relevante do que nunca

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse, nesta segunda-feira (1º), que a parceria estratégica entre Brasil e China torna-se mais relevante que nunca “em meio às atuais turbulências internacionais”. O chanceler brasileiro está em Pequim para o 5º Diálogo Estratégico Global.

Em reunião com o vice-presidente chinês Han Zheng e com o ministro do Comércio, Wang Wentao, o ministro brasileiro pediu maior acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês e a garantia de suprimento estável de fertilizantes chineses para o Brasil. Mauro Vieira também se reuniu com o chanceler chinês Wang Yi.

Segundo o Itamaraty, a China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e absorve 27% das exportações brasileiras. “Em 2025, o comércio bilateral atingiu US$ 170,9 bilhões, que significou o 10º ano consecutivo de recorde”, apontou o governo em postagem nas redes sociais. A visita ocorre também no contexto das celebrações do Ano Cultural Brasil-China.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Investimentos da China

Vieira destacou que o Brasil está aberto a novos investimentos chineses em modernização industrial, transição energética e alta tecnologia. Em 2025, o Brasil celebrou a posição de maior destino mundial de investimentos produtivos diretos da China. 

O ministro brasileiro e o vice-presidente chinês concordaram que houve múltiplos progressos na relação bilateral entre os países. Inclusive, os países deixaram de cobrar vistos para viagens de curta duração. Isso é considerado pela diplomacia um instrumento de aproximação dos dois povos e de promoção dos fluxos turísticos. 

Festival na periferia do DF traz hip hop contra escala 6×1

“Tô dentro do busão às quatro da manhã. E amanhã é a mesma fita, o dia se repete, o looping é infinito. Já não reparo quando o dia tá feio ou bonito”.

Brasília -DF- 30/05/2026 - MC ALine no Festival na periferia do DF traz hip hop contra escala 6x1. Foto Divulgação

MC Aline participa do Festival Quebradas na periferia do DF – Foto divulgação

Os versos são da MC Aline, nome artístico da rapper brasiliense Aline Florêncio da Silva, de 27 anos. A poesia, segundo ela, busca traduzir os “corres” das trabalhadoras das periferias, esperançosas pelo fim da escala 6×1, e também com mensagens de enfrentamento à violência contra as mulheres

Aline se apresenta no Festival Quebradas neste sábado (30), evento gratuito na região administrativa de Planaltina, lugar em que a rapper nasceu e cresceu, a 50 km de Brasília. A artista encontrou nas batalhas de rima uma forma de falar sobre o  lugar de onde veio e sobre a luta das suas vizinhas.

“Nós, mulheres do hip hop, passamos por muitas dificuldades desde sempre. Então a temática do feminismo tem que ser abordada”, afirmou.

A rapper defende que a arte pode sensibilizar as pessoas sobre temas relacionados aos direitos sociais.

Proposta educativa

A organizadora do evento, Ravena Carmo, de 36 anos, professora, poeta e pesquisadora dos temas das “quebradas”, diz esperar que o festival atenda a uma proposta educativa com entregas às comunidades. É a terceira edição do evento.

Os temas sobre direitos e do enfrentamento à violência contra a mulher têm, segundo ela, espaço fundamental no evento

Na programação, oficinas de grafite, e de escrita criativa, inclusive com atividades também voltadas para crianças de forma gratuita. O evento também vai apresentar um livro de poesias contra o feminicídio, com trabalhos enviados pela própria comunidade.

“Esse é um lançamento muito especial porque vamos contar com a presença da professora Vera Eunice de Jesus. filha da escritora Carolina Maria de Jesus”, comentou.

Vai ser lançada também a revista Saúde nas Quebradas, feita com o apoio da Fiocruz e tratando sobre temas relacionados às periferias. “Foi feita a partir da educação popular de forma colaborativa com temas relacionados à saúde mental, principalmente da juventude periférica”, diz Ravena Carmo.  

O evento vai ter ainda a Batalha das Gurias, com propostas para rimar em diversos temas. O evento será na praça da pista de skate, o Half, da comunidade do Jardim Roriz. “O festival não é apenas um evento de entretenimento, mas um manifesto de resistência”, diz a organizadora. 

Lula defende indústria brasileira de carros na América Latina e África

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na noite desta terça-feira (5), que a indústria automobilística brasileira tem o desafio de disputar mercado na América Latina e na África.

“Nós não temos que deixar [o mercado] para as matrizes. Nós temos que ir atrás e competir porque nós estamos mais perto”, disse Lula.  

Ele participou da celebração dos 70 anos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em evento no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília. A associação representa 26 empresas responsáveis pela produção no Brasil de autoveículos e máquinas autopropulsadas. 

Segundo o presidente, o papel do governo em relação ao setor é ajudar a “criar consumidores” de veículos. Lula aproveitou para dizer que a mão de obra brasileira é “altamente qualificada e especializada”. 

Biocombustível menos poluente

Ele ainda recordou que, na feira industrial de Hannover (na Alemanha), em abril, os brasileiros puderam mostrar que o biocombustível nacional é mais eficiente e menos poluente, com 67% menos emissão de gás de efeito estufa. 

“A gente não precisa importar o mix tecnológico dos motores europeus para despoluir o planeta. Eles é que têm que comprar o nosso biodiesel para ajudar a despoluir o planeta a partir do lado de lá”.

Setor em alta

No mês passado, a associação divulgou que o desempenho do setor automotivo superou as próprias expectativas. Segundo balanço, março foi o melhor mês para a produção de veículos desde outubro de 2019 e também o melhor período desde 2018, com 264,1 mil unidades produzidas entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões.

Isso representou uma alta de 35,6% sobre março de 2025 e de 27,6% sobre fevereiro.

Foi divulgado que, no acumulado do ano, a produção somou 634,7 mil unidades, um incremento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Hoje, o setor está presente com 53 fábricas distribuídas em nove estados e 38 municípios. A atividade tem cerca de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos e equivale a aproximadamente 20% da produção brasileira.

Artistas traduzem Brasília sem precisar de palavras

“Não me é possível traduzir em palavras o que sinto e o que penso nesta hora, a mais importante de minha vida de homem público”. Até no primeiro discurso para a nova capital, há 66 anos, Juscelino Kubitschek ressaltava a dificuldade de encontrar os verbos, substantivos e melhores adjetivos para Brasília. Mais de seis décadas depois, artistas também buscam, em diferentes suportes, a inspiração, em uma complexa “candanguice”, para traduzir Brasília.

 Um desses artistas usa gesto e silêncio. O mímico Miqueias Paz, de 62 anos, faz do movimento do corpo as nuances da cidade. As desigualdades, a bravura de quem veio de fora, a rotina de uma nova metrópole. Justo ele que chegou à capital com a família com apenas cinco anos de idade. Descobriu o poder no teatro na adolescência. Um teatro social que tratava da experiência das pessoas periféricas, dos imigrantes para a capital. 

Ao encenar “Sonho de um retirante”, o primeiro espetáculo, e depois “História do homem”, ambos na década de 1980, recorda que fez as apresentações, em primeiro lugar para agentes da ditadura, que faziam cortes e classificações. 

Foi em Taguatinga que ele começou a fazer teatro a partir dos 16 anos, influenciado por companhias, como o H-Papanatas, que visitava a então jovem capital. Miqueias passou a se apresentar não apenas no palco, mas também na rua para levar a arte a ocupações, por exemplo. Levar conscientização por direitos. Sem usar uma palavra, mas com o olhar. 

Ele lembra que, atuar com encenação física fez com que ele se tornasse alvo de microviolências, como abordagens frequentes de policiais. “Eu já começava a fazer mímica intuitivamente a partir das minhas histórias sociais: as coisas que eu vivia, que eu sentia, o ônibus apertado, a falta de grana. Esse passou a ser um eixo do meu trabalho”, diz. 

Em 1984, ficou conhecido por celebrar o fim da ditadura com o gesto de um um coração na rampa do Congresso. “Eu acabei tendo mais visibilidade em relação às pessoas dos movimentos sociais e passei a ser muito chamado por sindicatos”. Atualmente, Miqueias investe no seu próprio teatro, o Mimo, espaço cênico que fica na comunidade periférica 26 de setembro, que tem por objetivo acolher artistas ambulantes da capital. 

Samba pisado para cidade inventada

A tradução de Brasília também pode ser encontrada no sotaque nordestino do grupo “Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro”, criado pelo pernambucano Tico Magalhães. Foi ele que, sob o “assombro” que teve com o Cerrado e com a história de Brasília, criou o ritmo do samba pisado. A ideia era criar uma brincadeira. “Uma invenção para a cidade, uma tradição para ela, para essa cidade inventada”, afirmou.

A criação do samba pisado tinha uma mitologia própria com história, as figuras e festejos novos. “Achei que precisava criar algo que fosse novo também em relação a um pulso, um coração, uma batida própria. A gente chama de samba pisado e, a partir daí, a gente começa a tocá-lo”, diz Magalhães.

 Eis então um ritmo sob inspiração do som nordestino do cavalo marinho, do maracatu nação, de baque solto e de baque virado. “Mas também é uma junção de vários outros ritmos”. Ele diz que Brasília se fez em cima de um território onde se cruzaram vários povos indígenas. “É uma terra cheia de memória e de encantamentos. Brasília traz esse sonho, uma cidade que é sonhada, pensada e inventada”. 

Tico Magalhães avalia que o grupo assume características da cidade e oferece outras características. Para ele, Brasília configura-se em uma pequena diáspora brasileira.

“Quando você junta gente de muito lugar, a cidade começa a apresentar suas próprias tradições. O Seu Estrelo carrega a junção de tanta gente. A cidade inventa a gente e a gente inventa a cidade”.

Roupas e arquitetura

A inspiração de Brasília ilumina as mentes criativas de um casal de estilistas nascidos em regiões administrativas periféricas. Mackenzo, de 27 anos, de Samambaia, e Felipe Manzoli, de 29, de Planaltina, literalmente transformaram espaços arquitetônicos da capital em roupas. 

Brasília -DF- 21/04/2026 - Artistas traduzem Brasília sem precisar de palavras.  FOTO: Divulgação.

Estilistas dizem que arquitetura da cidade é fonte de inspiração – Foto/Divulgação

Felipe aprendeu a costurar com a avó aos 10 anos de idade. Mackenzo, que também era músico, arriscava-se em croquis ousados inspirados pelo que via da janela do ônibus. “Eu tive tias baianas que trabalharam com o próprio Juscelino Kubitschek e que fizeram parte da construção da cidade. Nós temos essa paixão pela arquitetura”. 

O estilista defende que produzir uma peça exige saberes quase arquitetônicos. Terrenos retos ou curvilíneos.

“O terreno, que é o corpo, é essa parte da engenharia da peça. Porque Brasília, para mim, não é apenas essa arquitetura. Ela é quase mítica”.

Ambos os estilistas avaliam que o trabalho homenageia a família deles. “Quando a gente pega Brasília para produzir uma coleção ou se inspira nessas questões arquitetônicas para produzir outras coleções, eu me inspiro muito nesse sonho grandioso. A realidade foi realmente dura de quem construiu esse sonho”. 

 “Nós somos muito metódicos e dramáticos. Eu sempre penso como é que eu posso transformar as coisas em roupas”.

Repertório

Outra estilista, Nara Resende, de 54 anos, é arquiteta de formação. “As formas simples e a geometria sempre marcaram muito o meu processo criativo. Estar hoje em Brasília, com a minha marca, só reforça o quanto esse repertório foi construído a partir dessas bases”, explicou. 

Ela diz que a cidade respira arte, e a natureza cria um contraste com o brutalismo das edificações. “Isso me atravessa diretamente. Minha inspiração acontece muito nas ruas, onde a vida pulsa e as pessoas circulam”. 

Alma da cidade

A artista visual Isabella Stephan, de 41 anos, que tem trabalho com telas e também estamparia, diz que se inspira nas cores de Brasília para traduzir a “alma da cidade”. “São obras que transitam entre o figurativo e o abstrato que exaltam a alegria enquanto tema”. 

Inicialmente, eram telas. Os quadros foram vendidos e resolveu transformar as pinturas em vestuário. “Brasília é uma cidade de muito branco, onde reina o concreto na arquitetura da cidade, uma cidade cheia de linhas”. Nas obras, a artista resolveu traduzir o multicolorido do movimento e da alegria do brasiliense.

Na Alemanha, Lula defende parceria com Europa na descarbonização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) uma matriz energética limpa em parceria com a Europa e a proteção a empregos com o avanço da inteligência artificial.

Na Alemanha, Lula discursou na abertura da maior feira industrial do mundo, a Hannover Messe. Ele voltou a criticar os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, conflito que chamou de “maluquice”. 

Lula disse que o Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir custos de energia e a descarbonizar a indústria. “Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, disse Lula, na Hannover Messe.

No discurso, acompanhado pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, por representantes dos governos e empresários dos dois países, Lula argumentou que é preciso combater “narrativas falsas” a respeito da sustentabilidade da agricultura brasileira. Ele foi aplaudido pelos presentes em diferentes momentos do discurso.

“Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”. 

O presidente argumentou que, em 2026, o Brasil coloca em marcha um “robusto programa” que prioriza a economia verde e a indústria 4.0. Por outro lado, ele aproveitou para contextualizar que se trata de um momento crítico na geopolítica global, marcado por paradoxos.

“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, criticou.

Defesa do trabalhador 

Sobre o mercado de trabalho, Lula disse que o país tem o menor desemprego da sua história e que defende o fim da escala 6×1, com a redução da jornada de trabalho para garantir dois dias de descanso.

Em relação aos empregos, Lula fez apelo aos empresários e pesquisadores para que, no cenário da evolução das tecnologias de inteligência artificial, contabilizem os impactos para os trabalhadores no mundo.

“Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que nos lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar”, considerou.

“Maluquice da guerra”

Ainda em seu discurso, Lula assegurou que o Brasil é um dos países menos afetados pela “maluquice da guerra feita com o Irã”. Ele afirmou que o governo tomou medidas internas para minimizar esse impacto diante de um cenário em que o país importa 30% do óleo diesel utilizado.  

O presidente aproveitou para condenar o fato de o mundo estar marcado por desigualdades, mas haver um gasto de US$ 2,7 trilhões em guerras. Em relação a isso, Lula pediu responsabilidade a membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para buscar caminhos contra essa realidade. O conselho conta com cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. 

Efeitos sobre mais vulneráveis

Lula lembrou que, com o conflito no Oriente Médio, ocorrem flutuações no preço do petróleo que encarecem a energia e o transporte. Outra consequência é a escassez de fertilizantes, que afeta a produção agrícola e aumenta a insegurança alimentar.

“São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”. 

Diante desse cenário, Lula apontou que a “paralisia” da Organização Mundial do Comércio (OMC) torna necessário “refundar a organização”. No tema do comércio internacional, o presidente aproveitou para enfatizar a importância do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

“Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”. 

Lula voltou a ser aplaudido quando lembrou do compromisso brasileiro de, até 2030, chegar a desmatamento zero na Amazônia. “Nos últimos três anos, reduzimos em 50% o desmatamento da Amazônia e em 32% no Cerrado”.

O presidente também destacou que o Brasil prioriza a sustentabilidade no campo dos combustíveis. “Já adotamos mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% no biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”, explicou.

Ele acrescentou que 90% da energia elétrica do Brasil é limpa e há potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo.  

Lula também citou a possibilidade de maior exploração de minérios críticos para colaborar com a descarbonização e a transformação digital. “Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já tem a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terra rara e a terceira de níquel”.

Ele disse que não vê o país como “mero exportador” dos minerais, mas deseja parcerias internacionais com transferência de tecnologia.

Goiás tem 42% dos casos de síndrome respiratória até 2 anos de idade

O estado de Goiás decretou, nesta semana, situação de emergência de saúde pública em razão do avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Em dados divulgados até o início da tarde deste domingo (19), pelo menos 42% dos casos estão relacionados a bebês (até dois anos de idade)

Segundo os números do painel, nessa faixa etária são 1.139 casos do total de 2.671 registrados.

Outra faixa etária que requer atenção especial é de pessoas acima de 60 anos de idade, com 482 casos (18% do total).

Emergência

Ao todo, já foram registradas 115 mortes no estado em vista da SRAG. Quando a Secretaria de Saúde decretou emergência, na quinta-feira (16), eram 2.560 casos. A medida estadual, estipulada em 180 dias, demandou, por exemplo, a instalação de um centro de operações para o monitoramento e a gestão da situação. 

Segundo o painel, 148 casos estariam relacionados à circulação do vírus da Influenza e 1.080 relacionados a outros vírus. Há alerta em relação à circulação da variante K do Influenza.

Outras ações do governo local foram a aquisição especial de insumos e materiais e contratação de serviços estritamente necessários ao atendimento da situação com dispensa de licitação.

“Nesse período, a administração pública estadual deverá providenciar o regular processo de licitação”.

O decreto ainda autoriza a contratação de pessoal por tempo determinado, com a finalidade de combate à epidemia.

“Tramitarão em regime de urgência e prioridade, em todos os órgãos e entidades da administração pública estadual, os processos referentes a assuntos vinculados ao decreto”.

Distrito Federal

Vizinho a Goiás, o Distrito Federal também monitora a situação. No entanto, a Secretaria de Saúde local informou que a variante K da Influenza já é predominante na América do Sul neste ano.

“Mas, até o momento, não há evidências de aumento da gravidade dos casos nem de perda de eficácia das vacinas disponíveis”, escreveu o secretário de Saúde Juracy Cavalcante.  

De acordo com informações da vigilância epidemiológica, até agora, foram registrados 67 casos de SRAG por influenza, incluindo um óbito.

“Apesar do cenário de 2026 sugerir, até o momento, a ocorrência dentro do padrão sazonal esperado de influenza, a dinâmica reforça a importância do monitoramento contínuo diante da possibilidade de aumento de casos nas próximas semanas. Seguimos com monitoramento permanente, e a população pode permanecer tranquila, mantendo a vacinação em dia”, disse o secretário do DF.

Em alta 

Nesta semana, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) havia divulgado, em boletim, que havia aumento de casos de SRAG em crianças menores de 2 anos em quatro das cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste).

“A análise aponta que o crescimento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal fator de elevação dos casos nessa faixa etária”.

Esses casos que afetam bebês, segundo o boletim, aumentaram em todo o Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal), Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo), e em estados do Norte.

Outra informação do boletim é que os casos graves por covid-19 seguem em baixa no Brasil.

Vacinação 

O Ministério da Saúde mantém campanha nacional de vacinação contra a influenza em todo o Brasil, com prioridade para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes, mais suscetíveis a desenvolver quadros graves. 

A vacina contra a covid-19 deve ser tomada por todos os bebês, aos 6 meses de idade.

Reforços periódicos são recomendados para idosos, gestantes, pessoas com deficiência e comorbidade ou imunosuprimidas e outros grupos vulneráveis. 

No ano passado, o Ministério da Saúde passou a oferecer também a vacina contra o vírus sincicial respiratório para grávidas, com o objetivo de proteger os bebês pequenos, principais alvos do vírus, que causa a bronquiolite.